Este sermão nasce de uma inquietação pessoal sobre o aumento de “igrejas de portas largas” em nosso tempo. Além das igrejas sem pregações bíblicas nos púlpitos, agora crescem as de pregações antibíblicas. Há muita movimentação religiosa, mas nem sempre há profundidade espiritual. Há discurso, mas nem sempre há presença. A palavra de Jeremias na qual este sermão se baseia ecoa esta triste situação: “Porque o meu povo cometeu dois males: abandonaram a mim, a fonte de água viva, e cavaram cisternas, cisternas rachadas, que não retêm as águas” (Jr 2.13).
Este texto não é apenas uma denúncia histórica; é um espelho espiritual. Ele revela o perigo de trocar a Fonte por estruturas, a presença por programação, a dependência por desempenho. O drama não é simplesmente cavar cisternas - é abandonar a Fonte. O maior risco da igreja não é a perseguição externa, mas o esvaziamento interno do zelo pelo que determina a Palavra de Deus.
Essa mensagem, entretanto, não se dirige apenas a igrejas como instituições, mas a cada coração individualmente. Cada crente pode, silenciosamente, começar a cavar suas próprias cisternas. E quando isso acontece, a água começa a escorrer pelas rachaduras invisíveis da alma. Sem perceber, podemos continuar ativos, tendo a forma de cisternas, e, ao mesmo tempo, estarmos espiritualmente secos.
Este não é apenas um alerta, mas um convite. A Fonte continua jorrando, pois o manancial não secou. A pergunta não é se há água viva disponível, mas se estamos dispostos a abandonar nossas cisternas e voltar à Fonte.
Que esta mensagem produza exame, arrependimento e renovação. Que líderes voltem a priorizar a presença de Deus e a primazia das Escrituras. Que membros voltem a desejar a santidade. E que cada leitor, ao final, possa dizer com convicção: eu não viverei de cisternas rachadas; eu voltarei ao manancial de águas vivas.
Que Deus te abençoe rica e abundantemente nesta leitura."